Por um FLISOL sem Ubuntu

Posted by admin On março - 24 - 2015

02-03-2013_logo_flisol

Recentemente o ativista Anahuac de Paula Gil, levantou uma importante medida a ser estudada ao se organizar o FLISOL, que trata-se de um festival de instalação de software livre, que ocorre anualmente, no mês de abril.

Abaixo reproduzimos o texto do post:

FLISOL 2015 sem Ubuntu

Não sei como ser mais explicito: por favor participantes do FLISOL, não instalem Ubuntu.

O Festival Latino-americano de Instalação de Software Livre (FLISOL), é um evento realizado desde 2005 e que acontece simultaneamente em várias cidades da América Latina com intuito de difundir o Software Livre por meio da instalação de sistemas operacionais e aplicativos livres. Porém nas últimas edições , a maioria dos voluntários passou a instalar o Ubuntu nos notebooks e computadores dos visitantes, com a melhor das intenções.

O problema é que Ubuntu não é Software Livre faz muito tempo! Seja pela quantidade de código não livre embutido nele, seja pela sua postura eminentemente comercial, seja pelo seu absoluto desrespeito pelos princípios éticos e filosóficos do Software Livre.

Em nossa humilde opinião, os voluntários do FLISOL acham que estão fazendo o bem, porém estão confundindo Open Source Iniciative (OSI) com Software Livre, estão difundindo mais software não livre e consciência OSI que qualquer outra coisa.

Porque a implicância com o Ubuntu?

Ubuntu foi a única distribuição GNU/Linux que instalou a partir de outubro de 2012 software malicioso para coletar dados de seus usuários sem dizer nada a ninguém. Isso é antiético, imoral e vai de encontro a todos os princípios do Software Livre. Só isso deveria bastar, mas a Canonical deixou claro em sua defesa sobre o spyware que instalou secretamente, que ações desse tipo são normais no mundo corporativo e que não se arrependia. E ainda tem mais: criticou diretamente a Free Software Foudation (FSF) e o Richard Stallman por terem exposto o problema ao público “da forma como fizeram”.

Então se unirmos os dois problemas- software não livre + comportamento contrário ao Software Livre – qual é o motivo que leva o Ubuntu a ser a distribuição GNU/Linux mais instalada em todas as edições do FLISOL? Facilidade, praticidade, compatibilidade? Se sua resposta for qualquer uma dessas, lembre-se: esses são argumentos do Open Source e não do Software Livre. O objetivo primário é defender a liberdade.

Instalar outras distribuições pode?

Não deveria poder, afinal de contas a maioria das distribuições usa kernel Linux e este já está tão infectado de softwares não livres, que mal dá para categorizá-lo como um Software Livre. Assim distribuições como Fedora, Mandriva, openSUSE, Debian e todas mais conhecidas, estão fadadas à mesma condição do Ubuntu. A diferença está em não usar a pior delas, para a comunidade Software Livre.

Retroceder para voltar ao rumo certo

Recusar formalmente a instalação do Ubuntu seria um recado claro de que a comunidade Software Livre não aceita mais os abusos cometidos. Que não aceita mais a inclusão constante e crescente de software não livre em suas distribuições GNU/Linux mais queridas. Pense no efeito que um posicionamento como esse teria e os benefícios que alcançaríamos como movimento social e político, depois de toda a experiência adquirida nos últimos anos.

Dar dois passos para trás, para poder dar um à frente, na direção certa. Sejamos francos, até quando vamos continuar nos submetendo aos abusos de poder dado por nós mesmos aos fabricantes de notebooks, aos desenvolvedores do Kernel Linux e a empresas como a Canonical. Todos eles parecem cada vez mais interessados em seus próprios negócios do que em fomentar e disseminar a cultura do Software Livre.

E qual é a sugestão?

Apontar um problema e não oferecer nenhuma solução não seria correto, então seguem algumas sugestões:

a) Escolha uma distribuição GNU/Linux recomendada pela FSF https://www.gnu.org/distros/free-distros.html ;
b) Sugerimos a distribuição Trisquel GNU/Linux (http://trisquel.info), exatamente porque se baseia no Ubuntu LTS e isso facilitaria encontrar documentação e opções on-line;
c) Permitam uma exceção de driver não livre usando o ndiswrapper para permitir o funcionamento das placas Wifi;
d) Automatizem via script a instalação dos pacotes não livres mais comuns: codecs multimídia privativos, java, flash e outros, mas não executem vocês mesmos. Deixem que as pessoas façam isso elas mesmas. Elas são livres para escolher usar ou não software não livre, o FLISOL e os ativistas do Movimento Software Live não são.

Consequências diretas

O primeiro incômodo é ter que explicar as pessoas que cheguem ao FLISOL procurando instalações de Ubuntu, porque não se instalará essa distribuição. A consequência imediata é criar a percepção geral de que o Ubuntu não é tão bom assim.

O segundo incômodo é colocar o instalador de cara com um driver privativo, de forma evidente, sem margem a interpretações. O que os olhos não veem, o coração não sente. E isso se aplica aos blobs privativos que vem no kernel Linux, que são instalados sem que se perceba. É isso o que gera aquela “felicidade” de ter o hardware funcionando, mesmo que seja em detrimento de todo o nosso discurso de ativismo em prol da liberdade tecnológica.

O terceiro é trazer de volta a discussão sobre os problemas que os drivers privativos causam: dependência tecnológica imposta pelo poder econômico dos fabricantes. Neste momento é o inconveniente do EFI e amanhã será o SecureBoot. Até quando vamos permitir passivamente sermos limitados, constrangidos e relegados? O dia em que não será possível instalar mais um sistema operacional livre está chegando. Vamos reagir?

Apelo

Este á um apelo para que o FLISOL seja a força propulsora para que o Software Livre volte a ser valorizado como deve, para que seus princípios éticos e filosóficos sejam priorizados, para que o modelo que da mais valor a placa de wifi funcionando do que a liberdade tecnológica seja derrotado.

Não estamos buscando coerência plena neste momento. Trata-se do primeiro passo do resto de nossas vidas. Todos juntos podemos fazer do Mundo um lugar melhor. Usar, difundir, desenvolver e se manter firme ao lados dos preceitos éticos e filosóficos do Software Livre é um dos caminhos para se alcançar esse objetivo.

Se você estiver de acordo assine a petição. Assuma o compromisso de que o FLISOL na sua cidade não instalará, recomendará, ou ensinará Ubuntu e voltará a discutir sobre a essência do Software Livre.

Saudações Livres!

O formulário aderindo a campanha pode ser assinado aqui: http://www.anahuac.eu/flisol/

  • Hudson

    Por um FLISOL sem Anahuac e os demais pseudo radicais, isso sim!
    Instalem Ubuntu, instalem Fedora, instalem o sistema LINUX que o usuário quiser.

  • Hugo Nascimento

    É uma pena ver posições radicais desse tipo, que apenas gerar rancor, divide a comunidade e
    afugenta os novos usuários! A meu ver, a presença de algumas pessoas radicais é importante na comunidade de SL (até para poder balancear o diálogo) mas, quando
    se trata de um cargo representativo da comunidade SL, como o de
    Coordenador Geral FLISOL Brasil, o interlocutor precisa ser imparcial e
    pensar com cuidado na realidade de SOs para desktop, totalmente dominada
    pelo modelo proprietário (Windows e Mac) e por usuários atrelados a
    eles. Então as ações devem ser no sentido de unir as pessoas e de criar um caminho mais motivador para transformarmos a cultura atual!

  • Carlos Ribeiro

    Qual a posição da Revista Espírito Livre a esse respeito?

  • O maior absurdo foram alguns coordenadores terem acatado isso sem qualquer opinião formada pela Coordenação Geral do FLISOL. Arbitrariamente publicaram na Wiki da Flisol 2015 incitando os demais coordenadores a fazer uma Flisol sem Ubuntu e criaram até uma página especial de inscrições. Eu não farei a Flisol de Araguari enquanto essa publicação estiver “plantada” no site da Flisol. Espero que os Coordenadores Gerais do evento se pronunciem e acabem com esta palhaçada.

  • Emanoel Marques

    A Comunidade precisa sim de discussão e não divisão

  • Muhamed Ali

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    Concordo com todo
    texto, do início ao fim. Não exite meio termo em Software Livre, ou
    é, ou não é. Agora aqueles que ficam choramingando falando que
    está dividindo a comunidade, criem um evento pra o movimento Open
    Source, fica a dica ….

  • Marcelo Eiras

    Por causa dessas babaquices que o SL nunca vai pra frente em desktop. Muito radicalismo, muito mimimi, muita briguinhas e picuinhas, muitos forks…

  • Embora eu discorde das posições políticas do Anahuac, devo concordar com o fato de que os argumentos utilizados para a defesa do Ubuntu, como sua suposta facilidade de uso, são muito fracos em comparação aos malefícios que o mesmo traz não apenas ao software livre mas, também, às nossas vidas. O problema é que o povo quer continuar sendo gado e, em nome de uma suposta comodidade, entregar todos os seus dados pessoais para empresas estrangeiras, como Canonical, e órgãos como NSA.

  • Mas quais seriam os argumentos para se defender a instalação do Ubuntu em um festival de software livre se, em essência, ele não é livre?

  • O que iremmos apresentar no Flisol? Sugerir aos usuários que instalem um dos poucos sistemas livres disponíveis, totalmente desconhecidos pela maioria dos usuários? Além disto, tinham que incluir na remoção o Debian, o Fedora, o Arch e outros tantos, e não o fizeram. Outra coisa a destacar é que, se a Flisol possui um público considerável para instalações, deve isso ao Ubuntu, pois ele é o sistema base solicitado pela maioria dos visitantes. Se levarmos a coisa a um extremo, as demais distribuições tem um uma maior quantidade de usuários no Brasil graças à divulgação efetuada pelo excelente trabalho de midia da Canonical. A questão é focar na liberdade do usuário escolher e não no idealismo arcaico que o projeto GNU pretende impor.

  • Davi Warhead

    Compreendo os argumentos. Porém, acredito que restringir as possibilidades do público faz com que se perpetue a incorreta concepção de que Linux é para poucos.
    Penso que seria melhor garantir a liberdade de escolha aos que desejam instalar GNU/Linux, qualquer distribuição. Deixem que as pessoas aprendam e se familiarizem com o Sistema.
    Melhor incentivar o uso e a adesão ao GNU/Linux, por parte dos que ainda não o fizeram. Permitam que os iniciantes testem todas as Distribuições possíveis. Deixem que cada usuário decida o que é melhor para sua vida digital.
    Assim, teremos uma maior base de usuários para tratar de assuntos mais profundos.
    As questões técnico/filosóficas podem ficar para os iniciados, que já sabem contornar as dificuldades da falta de drivers e software proprietário.

  • Guilherme C.

    Pra vc ver a incoerência. A FSF coloca uma lista de distribuições não-livres, como Arch, Fedor, OpenSUSE, Debian, CentOS, Slackware e Ubuntu, mas somente o Ubuntu é proibido. Vai entender o “um peso, duas medidas”.

  • Guilherme C.

    Arch, Debian, CentOS, Fedora, Slackware e tantos outros não são livres. Se for mais estrito, nem mesmo o kernel Linux é.
    Essa perseguição contra o Ubuntu parece mais birrinha.

  • camus

    …c) Permitam uma exceção de driver não livre usando o ndiswrapper para permitir o funcionamento das placas Wifi;…

    Um pouco de fermento leveda toda massa.

  • camus

    O senhor usa google e facebook???????????

    Então se a questão são os dados não use nada da google,nem facebook e etc…
    Você conseguirá convencer algum usuário final?????????

  • camus

    O texto diz:
    …c) Permitam uma exceção de driver não livre usando o ndiswrapper para permitir o funcionamento das placas Wifi;…

    Como vc diz que não existe meio termo??????????????

  • Onetti

    André, por favor, a que você se refere, exatamente, com entregar dados? Ao compartilhamento de dados de buscas na Lente do Ubuntu? Ou há algo mais além disso? Se houver, por favor, demonstre.

  • Onetti

    Mesmo que as distros Ubuntu venham recheadas de alguns softwares proprietários, o ecossistema Linux é preservado, e esse, comparado aos ecossistemas Windows, Mac (e mesmo Android), é o que viabiliza o maior grau de liberdade para o usuário. Acho que o paradigma Livre/Não-Livre tem que considerar a perspectiva do usuário em primeiro lugar. E qualquer distro Linux (mesmo as que carregam alguns drivers proprietários) dá de 1000 a zero em qualquer outro SO.
    Uma vez introduzido no mundo Linux, o usuário novato e não nerd pode então aprofundar o grau de liberdade que ele quiser, e migrar para as distros mais “puras”, mas que exigem mais experiência com o Linux. Se queremos induzir a massa a se tocar do quão presa ela está num iPad, num iPod ou num Android (perto deles a Microsoft é santa, na minha opinião), a se apoderar mais da sua máquina e dos seus dados, a transição tem que ser suave. O purismo da discussão Código Livre X Código Aberto, embora fundamental, deve se restringir a um círculo restrito de iniciados, não para a massa que poderia eventualmente estar aberta a novas experiências. Para essa massa, a transição passa necessariamente pelos Ubuntus e Mints da vida.

  • Paul

    Excelente Comentário!!!! Sem mimimi!!!!

  • Geraldo

    #usemubuntu hahaha, o choro e livre e nos tambem! =)

  • Rafael Orlando

    O simples fato de se ter um registro no governo, falar ao telefone e navegar na internet, seja lá qual distro estiver usando, já é o suficiente para organizações nacionais e internacionais saberem tudo sobre você (nós). Referente ao seu pensamento extremista que teima em achar que o Ubuntu é o inimigo número 1 do SL, que o mesmo não merece ser considerado SL pelo simples fato de ter softwares proprietários inclusos, só tenho uma coisa a te dizer: UBUNTU É SL QUER VOCÊ QUEIRA OU NÃO. Hoje o Ubuntu carrega 25 milhões de usuários, que por mais que “não saibam programar” conhecem a liberdade de se usar e fazer o que quiser com um sistema. Então me poupe desses argumentos sem fundamento, na boa, que tu consiga evoluir nos teus conceitos. Abraço, fica com Deus.

  • Rafael, gostaria de publicar sua opinião em forma de um texto em nossa revista?

  • Rafael Orlando

    Olá, gostaria sim. A opinião seria referente a esse tópico ou a minha visão sobre a importância de se pensar no Ubuntu como parte impulsionadora do SL?

  • Na verdade poderiam ser dois textos distintos. Já estamos querendo lançar uma edição sobre essa discussão se o Ubuntu é realmente um vilão ou superherói na comunidade SL / CA.

  • Rafael Orlando

    Ok tudo certo então, fico no aguardo das instruções de vocês. Abraço.

  • Ricardo Cruz

    Tem toda a razão. Abaixo o Ubuntu! Acima o Xubuntu que é mais rápido ;P

  • Paulo Guarnieri

    Acredito eu que a melhor forma de promover o software livre seria criando softwares tão bons quanto ou melhores que os proprietários. Se as pessoas não tem alternativas livres para usar, drivers por ex., ficarão dependentes dos non-free. O único jeito seria encontrar uma alternativa.

  • Márcio Alves

    O Ubuntu está usando programa espião?
    O Ubuntu deixou de ser Software Livre?
    Afinal de contas quais as distribuições que realmente são Software Livre?

  • Software livre tem mais a ver com religião do que a religião tem a ver com religião. Virou uma seita de gente xiita, cheia de mimimis. Usem a porra de software que vocês quiserem, isso é liberdade.

  • Leonardo Cabral

    Preciamos nos unir…
    …vamos criar uma nova distro para isso…
    …cada um cria uma e critica a do outro…
    …viva a liberdade de escolha…
    …somente diante dos termos apresentados…
    …não você que usa windows e diz que linux é difícil de aprender…
    …você sabe pouco de linux e nunca vai poder entrar…
    …na gang dos heróis esclarecidos…
    …que luta pelo livre acesso à tecnologia.
    (Solo de guitarra enquanto o vocalista organiza um wall of death.)

  • jon jon goufema liames zenbin

    sério,que liberdade é essa que proíbe o cara de usar Ubuntu,ah e tem mais,se não existisse Ubuntu,não existiria Trisquel,que coisa hein…anahuquack…quack quack..